VIVA A EVOLUÇÃO REAL DA KIZOMBA

YouTube de 2010 a 2016 dos chamados “tradicionalistas” que irão ver as diferenças. E o motivo da evolução chamasse SEMBA.

Porque o semba como dança evoluiu do chamado semba social para o semba show (hoje a maioria das pessoas só conhecem o “semba show” como semba).

Isso teve um impacto directo na kizomba de hoje (não, não estou a falar do Urban kiz ou da kizomba fusão ou de qualquer outro nome que foi dado a kizomba pelo mundo a fora) tornando-a uma dança muito mais técnica e trazendo os movimentos dos pés característicos do semba e alguns movimentos acrobáticos para a kizomba e também transportando a responsabilidade da mulher em manter o ritmo para que o cavalheiro possa explanar a sua criatividade na pista.

Kizomba e semba são danças de conexão e desconexão (desconexões são chamados movimentos de saida) e é na masterização dessas duas técnicas que te faz ser uma bailarino de alto nível. Hoje, a kizomba tornou-se numa dança muito técnica e isso deveu-se a evolução do semba (o filho naturalmente segue as pisadas do pai).

EVOLUÇÃO, DISTORÇÃO, MUTAÇÃO OU MUDANÇA?

No passado ouvi algumas pessoas dizerem que a kizomba era muito básica e que foi por isso que se deu a “Evolução”.

Essa chamada “Evolução” não foi mais que o adicionar de passos de outras danças sem se preocuparem em manter as bases inerentes a Kizomba.

Entre 2012 a 2016 a kizomba foi transfigurado para que se adaptasse a maneira como o europeu conseguia dançar e sentir a kizomba porque na maioria dos professores de kizomba europeus atuais poucos (ou talvez nenhum) foram os que tiveram um mínimo de 3 anos de aprendizagem antes de começarem a ensinar. E normalmente quando tentamos ensinar algo que não sabemos, dominamos, ou intendemos a invenção de passos e “técnicas” e a extração de passos das outras danças que dominamos passam a ser algo natural especialmente porque a dança é baseada em movimentos corporais e se ela não for boa (independentemente dos estilos de cada um), o resultado tornasse facilmente na DISTORÇÃO dessa dança.

E os resultados das referidas “Re-Evoluções” na Europa foram os surgimentos das “kizomba fusão,” “Urban Kiz”, “kizomba 2.0,” etc…tudo isso num espaço de 3 a 4 anos E a verdade é que nenhuma destas danças “Evolutivas” manteve a essência da kizomba.

Ao ver essas danças referidas que na verdade MUTARAM da kizomba podemos facilmente ver que as bases fundamentais da kizomba não estão lá, as base 2 (movimentos laterais) e a base 4 (vírgula) (base 4 que nenhum dos chamados “evolucionistas” usam criando danças em linha) e claramente conseguimos ver as influências de outras danças.

Na verdade o que aconteceu na Europa foi o surgimento de novas danças influenciadas pela kizomba e não a “EVOLUÇÃO”

Podemos facilmente chegar a conclusão que essas novas danças são mutações, não evoluções.

Evolução: É o desenvolvimento gradual a partir de algo simples para uma forma mais complexa mantendo as mesmas genes (base da dança neste caso).

Mutação: Acontece quando a estrutura é mudada, criando novas genes ou genes similares deformadas.

PORQUÊ A MUDANÇA?

O que realmente fez com que o europeu criasse a sua própria versão da kizomba não foi só a falta da base mas a Musica. A gênese da mudança está na MÚSICA.

DANÇA E MÚSICA SÃO INSEPARÁVEIS PARA OS AFRICANOS. A DANÇA NÃO PODE EXISTIR SEM A MÚSICA E A DANÇA NÃO FAZ SENTIDO SE NÃO EM SINCRONIA COM A MÚSICA.

Infelizmente, muitas pessoas têm dificuldades em manterem o ritmo quando dançam; Eles podem até ouvir a batida, mas sincronizar o movimento corporal com o que ouvem é outra história.

A maioria das Musicas da África Ocidental,Central e Oriental são polirrítmicas, o que significa que eles apresentam dois ou mais ritmos dentro da mesma música Estas musicas criam camadas de ritmos distintos. Os tambores são muito importantes para as músicos africanos mas estes músicos também usam um outro instrumento para criar as canções polirrítmicas: os seus corpos. É aí que entra a dança. Bater palmas e criar sons com os Pés são muitas das vezes parte das camadas musicais. Por exemplo, no Hemiola, esse padrão de três batidas sobre batidas de dois, tradicionalmente os pés são usados para manter o ritmo principal, enquanto as mãos tocam um instrumento como ritmo secundario. E por esse motivo que a música e a dança são inseparáveis para os Africanos. A Música tradicional Europeia normalmente tem um só ritmo.

Com o surgimento das musicas com maior influências do R&B (que é um ritmo curiosamente criado pelos Negros Norte Americanos, mas que se tornou parte da música quotidiana Europeia e que nos últimos 20 a 30 anos influenciou muito da geração que hoje dança a kizomba na Europa), Getto-Zouk e Tarraxinha (aqui com uma maior influência inicial do techno por ter sido influenciado pelo Kuduro inicialmente mas que naturalmente passou para R&B) criou se uma ponte entre as musicas Africanas e Europeias.

Sendo os genros musicais Getto-Zouk e a Tarraxinha parte do Universo musical Kizomba aonde a Kizomba deveria ser o centro e as outras musicas deveriam rodar a volta da kizomba o Europeu escolheu naturalmente o estilo musical que mais se enquadro naquilo que gosta (o que é natural) que são as musicas com fortes influências R&B e acabou por ostracizar a kizomba não porque a kizomba e “Tradicional” e “Velha” mas porque havia uma dificuldade natural para conseguir seguir o ritmo e o bpm (batidas por minuto) da Kizomba e do Semba também.

E porque aqui já começou o primeiro efeito que teve como causa a mutação.

Naturalmente a música influência a dança (o mesmo aconteceu do semba para a kizomba), e o facto de a maioria do europeu ter se focado apenas nos ritmos musicais com R&B (que têm uma cadência e melodia muita mais lenta que a kizomba) a dança deles deixou naturalmente de ter a necessidade de usar a base 2 passando na maioria das vezes da base 1 para a base 3 e devido ao facto de muitos dos “professores” europeus não terem a virgula nas suas danças essas bases deixaram de existir (todos eles continuam a ensinar a base 2 mas muitos deles não a usam nas suas dançam (facto que pode ser averiguado em muitos vídeos de YouTube), e com o factor comercialização (aonde todos querem fazer tudo o que o mestre faz mas sem terem que passar o tempo que o mestre teve para aperfeiçoar as suas técnicas), o ensino dos “truques” que são parte do semba show passaram a fazer parte da kizomba mas nas músicas de cadência lenta (Getto-Zouk e Tarraxinha).

Com as ausências das duas bases e de “Truques” mal executados do semba (porque a maioria das pessoas que também ensinavam esses “Truques” não sabiam e não sabem dançar o semba), estava criado a fórmula para a kizomba europeia aonde toda a dança e baseada e ensinada na BATIDA, dai as musicas instrumentais serem muito populares nas festas das Fusões e Urban kizs, porque naturalmente quando aprendemos a nos mover-mos só no beat deixamos de ter a necessidade de seguir melodias.

CONHECIMENTO É PODER

A evolução é inevitável.
E hoje em dia o conhecimento está disponível.

Sabedoria e compreensão são opções individuais.

A Kizomba, será sempre o reflexo do semba como um filho que segue as pisadas do pai. Também porque as músicas de ambos são polirrítmicas (semba e kizomba) o que permite aos dançarinos exprimirem se quase da mesma maneira mas com sentimentos diferentes nas pistas de dança.

VIVA A EVOLUÇÃO REAL DA KIZOMBA, mantendo as bases do semba, que mantém a autenticidade desta bela dança.

BEM-Vindo a verdadeira evolução da kizomba aonde a técnica evolui mas a base continua preservando a autenticidade da dança.

#eddyvents #kizomba #semba #palop #knowledgeispower #learningwitheddy #kizombaculture


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